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Seu filho não come?

Esta é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de pediatria e nutrição. Essa queixa é muito frequente principalmente no segundo ano de vida, quando a velocidade de crescimento diminui bastante em relação a do primeiro ano e, consequentemente, diminuem também as necessidades nutricionais e o apetite.

A anorexia ou falta de apetite é a condição na qual a criança não ingere espontaneamente a quantidade de alimento necessária para o crescimento e desenvolvimento normais, ou seja, há um desequilíbrio entre a satisfação da sua necessidade psíquica em se alimentar e a necessidade orgânica, ocasionando em alguns casos até a desnutrição.

Diante de uma queixa que o filho não esta comendo, a primeira observação deve ser em relação ao peso da criança e sua altura. Com esses dados, montamos uma curva de crescimento. Essa curva nos ajuda a avaliar o crescimento e estado nutricional das crianças. A criança pode estar com on this site o peso ideal para a idade ou até mesmo com sobrepeso. Se a avaliação
mostrar uma evolução do peso em relação à altura menor do que a esperada na curva de crescimento, trata-se de uma anorexia verdadeira. Caso a criança apresente um crescimento e desenvolvimento normais, trata-se de uma falsa anorexia, que traduz a preocupação excessiva dos familiares em querer impor uma superalimentação.

A anorexia infantil pode ter dois fatores: orgânico ou comportamental.

Dentre as causas orgânicas, podemos encontrar: Infecções de diferentes etiologias e diferentes localizações; disfunções digestivas; parasitoses intestinais; transtornos do sistema nervoso central; transtornos metabólicos congênitos; carências de vitaminas e sais e minerais; e desnutrição.

Dentre as causas comportamentais encontramos: Alteração do vínculo mão- filho; tensão familiar; chantagem alimentar; dificuldade dos pais em estabelecer limites; mudanças na rotina; separação dos pais; falecimento na família; mudança de empregada; nascimento de um irmão; busca de atenção; satisfação de desejos; desmame inadequado; introdução de colher de alimentos complementares de maneira inadequada; falta de conhecimento dos pais a respeito do comportamento alimentar da criança nas suas várias idades; monotonia alimentar; peculiaridades desagradáveis quanto ao sabor, à aparência, ao odor e à temperatura; condições ambientais físicas desagradáveis; desacerto entre horário de sono e horário de alimentação; e por fim desacerto entre horários escolares e horário de alimentação.

As causas comportamentais são as mais frequentes e as mais difíceis de serem tratadas, pois são determinadas em sua maior parte por erros de concepção e de condutas praticados pelos pais. Isso acontece por desconhecimento das necessidades nutricionais reais da criança de acordo com sua faixa etária, e também por desconhecimento das etapas do desenvolvimento emocional e comportamental infantil.

Muitos pais estabelecem quantidades exageradas de alimentos, sem levar em consideração o apetite da criança.

Pais ansiosos desencadeiam uma insistência exagerada, forçando a criança a comer, diminuindo o prazer da hora da alimentação.

Algumas crianças, quando forçadas, criam um mecanismo de repulsa, inicialmente apenas não aceitando o alimento, depois reagindo energicamente à imposição que lhe é feita, podendo atingir grandes proporções, como o reflexo condicionado de vomitar à simples menção ou apresentação do alimento.

Outra conduta muito comum é distrair a criança com mil artimanhas durante todo o tempo em que é oferecido o alimento, diminuindo ainda mais o interesse pela comida.

O tratamento da anorexia infantil deve levar em conta a etiologia do problema. As causas orgânicas detectadas serão tratadas de acordo com as rotinas pediátricas.

Já o tratamento da anorexia de origem comportamental busca principalmente recuperar, para a criança, o prazer de alimentar-se, além de recuperá-la nutricionalmente.

Nutricionista My School – Natalí Crozatti Rodrigues